DETENTOS ATEARAM FOGO EM COLCHÕES EM RIBEIRÃO DAS NEVES

Detentos em Ribeirão das Neves, no presídio Inspetor José Martinho Drumond, região metropolitana de Belo Horizonte, atearam fogo em colchões, cobertores e outros objetos na manhã desta sábado (24), véspera de Natal.

O motim ocorreu depois que dezenas de agentes penitenciários que trabalham na unidade prisional cruzarem os braços na porta do presídio, o que impediu a realização de visitas no local. Na porta da unidades, familiares dos presos também protestaram. Policiais do Comando Operações Especiais (Cope) e da Central Integrada de Escolta do Sistema Prisional de Minas Gerais (Ciesp-MG) foram acionados para conter o tumulto que, de acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), já foi controlado.

Segundo um agente penitenciário, que não quis se identificar por medo de represálias, o ato dos funcionários foi motivado após um suposto e-mail da Seap, endereçado aos diretores dos 183 presídios de Minas Gerais, ter vazado nas redes sociais. No e-mail, haveria uma lista com nomes de dezenas de agentes penitenciários do Estado, inclusive do presídio Inspetor José Martinho Drumond, que seriam demitidos na próxima quarta-feira (28). Conforme informações do agente, a Seap pretende realizar uma "demissão em massa" em todo o Estado nos próximos dias.


"A atitude da Seap demonstra despreparo no planejamento da segurança prisional. O concurso público de 2013 anda a passos lentos no quesito de nomeação e, de forma irresponsável, a Seap rescinde contratos administrativos da segurança com pontual desfalque no efetivo das unidades prisionais. Não há sequer previsão de quando os candidatos do certame de 2013 irão efetivamente serem nomeados, empossados e efetivamente entrarão em exercício para recompor o quadro de segurança das unidades prisionais do Estado.

Seguindo na contramão do alto número de prisões executadas para a manutenção da ordem pública pelas polícias Civil, Federal e Militar, assim como das guardas municipais, que, juntas, prestam um relevante serviço público para a prevenção e reincidência de atos infracionais", desabafou o agente penitenciário que pediu anonimato.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que a direção do presídio irá apurar, em procedimento próprio, se houve ilícito administrativo no caso e irá avaliar possíveis danos ao patrimônio público. Ainda conforme nota da Seap, a unidade segue sua rotina e as visitas acontecem normalmente.