HOMEM É FLAGRADO SE MASTURBANDO PARA ALUNAS NA UFMG


Um estudante de química tecnológica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi denunciado à diretoria da Faculdade de Farmácia por praticar ato obsceno em lugar público. Mulheres flagraram o rapaz escondido atrás da porta do banheiro masculino próximo à cantina - no primeiro andar do prédio de farmácia, no campus Pampulha - enquanto se masturbava e observava as alunas.

A situação teria se repetido pelo menos três vezes nesta semana, segundo estudantes. Em um dos casos, uma aluna fotografou o rapaz durante o ato e relatou o acontecimento em um grupo no WhatsApp.

“Tirei a foto enquanto fingia que estava digitando no celular. Fiquei mais de 20 minutos almoçando e em nenhum momento a pessoa saiu do banheiro. Sempre me espionava atrás da porta e quando eu olhava em sua direção, ela se escondia. Foi muito assustador”, disse a jovem, em uma conversa pelo aplicativo.


Na última terça-feira, outra estudante foi vítima do rapaz, dessa vez, no terceiro andar da instituição de ensino. “Estava esperando uma amiga sair da prova, sentada perto da sala. Quando olhei na direção do banheiro, tinha um homem me olhando”, contou a garota, em um grupo do Diretório Acadêmico de Farmácia, no Facebook.  

De acordo com ela, o sujeito não se intimidou mesmo com a chegada de outras colegas. “Eu me juntei a mais duas amigas e ele continuou ali olhando, até que fomos embora. Ele saiu do banheiro e foi em direção às salas vazias. Precisamos tomar alguma medida, isso é muito perigoso”, alertou.
Procurada pela reportagem, a direção da Faculdade de Farmácia informou que o homem já foi identificado e que o mesmo recebeu uma advertência. Uma foto dele foi divulgada para os servidores da Divisão de Segurança Universitária (DSU) e os seguranças receberam a orientação de impedir a entrada do rapaz no prédio.

Ainda segundo a diretoria do curso de farmácia, o aluno frequentava o local para estudar uma disciplina eletiva com o intuito de complementar sua grade curricular do bacharelado em química tecnológica.


Indignadas com o caso do rapaz que se masturbava escondido nos banheiros da UFMG, um grupo de mulheres dos cursos de farmácia e biomedicina marcou uma reunião para discutir a segurança no prédio onde estudam e no campus Pampulha.

“Consideramos extremamente necessário discutirmos nosso posicionamento frente a essa situação de falta de segurança e impunidade que assola a comunidade feminina da UFMG”, diz um comunicado publicado pelo grupo nas redes sociais.

Elas alegam que vários relatos de assédio ocorridos no prédio de farmácia não foram denunciados. Para o grupo, isso evidencia que há uma “cultura de negligência perante a violência sofrida pelas mulheres no contexto da universidade”.

Estudantes que conversaram com a reportagem afirmaram que as mulheres que frequentam o prédio da Faculdade de Farmácia durante a noite são as que mais correm riscos. Entre os problemas apontados por elas, estão a ausência de iluminação adequada no entorno do local e a falta de seguranças dentro e fora do edifício.

“O estacionamento fica deserto, buscar o carro é um perigo. Mas quem precisa esperar o ônibus interno ou ir a pé até a portaria da avenida Antônio Carlos está sujeita a qualquer coisa. Se acontecer um estupro ali, ninguém vai ficar sabendo. Toda menina que estuda a noite tem um caso de assédio para contar”, desabafou uma estudante, que pediu para não se identificar.

Questionada sobre as reclamações das alunas, a direção do curso afirmou que “há iluminação e seguranças suficientes no prédio”. A diretoria, no entanto, justificou que o prédio está próximo a uma área de mata preservada e, por isso, o entorno carece de uma estrutura de luzes mais apropriada.
O encontro das estudantes acontecerá na próxima segunda-feira (30), às 17h30, no pátio em frente ao Diretório Acadêmico de Farmácia.
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